Cercado por milhares e mesmo assim solitário.
Expressões alheias, gestos enfadonhos e vultos distantes. Tenho a impressão de que as pessoas olham mais para os seus espelhos do que para as pessoas ao seu redor.
Se eu me lembro bem, as pessoas eram muito diferentes nos tempos da minha infância. Sorriam, abraçavam e, ainda ao longe, percebia-se a receptividade no brilho dos seus olhos convidativos. Onde será que todos eles perderam a empatia?
Não peço necessariamente uma palavra. Na verdade, um sorriso dos mais discretos seria o bastante. Alias, por mais triste que seja, mal consigo me lembrar da última vez que alguém sorriu para mim. Ora, não falo do sorriso materno que me aguarda sempre nas refeições e nos reencontros, pois esse de fato estará sempre presente.
Convém lembrar os beijos secos que desferimos uns nos outros sem qualquer manifestação genuína de afeto. É como se fosse um ritual, desprovido de valor, com o qual “presenteamos” os até então desconhecidos que muitas vezes permanecem para sempre no anonimato.
Ao que parece, as pessoas tem se tornado cada vez mais individualistas à medida que o tempo tece as suas teias. Se por acaso não houver uma faísca de interesse, elas logo descartam a idéia de aproximação. Como se não bastasse, nos dividimos em tribos – grupos, se preferir – e nos esquecemos do ancestral comum, isto é, do fato que todos nós pertencemos ao gênero humano. Em algum momento da história, perdemos o nosso senso de fraternidade para com o próximo.
Entretanto, apesar da indiferença alheia, eu tenho um sonho. Eu espero aquele dia quando o desconhecido irá oferecer uma cama quentinha em troca de companhia. O dia em que o forasteiro irá escolher o mais sadio dentre os seus animais e fará o jantar, simplesmente pelo prazer de trocar uma ou duas palavras comigo. E, por fim, eu vou aguardar ansiosamente pelo dia onde vamos procurar a nossa imagem no reflexo dos olhos dos nossos irmãos ao invés de passar noite inteira contemplando o nosso vazio no espelho solitário do banheiro.
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Um texto melhor que o outro Estevão...
ResponderExcluirtambém acho que falta um pouco de afeto e solidariedade nesse mundo, vontade de mudar isso todos temos e vc ilustrou isso muito bem...
Parabéns pelo blog!
Aee! gostei mto deste tb! xD
ResponderExcluirvc conseguiu expressar o excesso de egoísmo q a gnt ve por aí claramente e com mta "classe" digamos. =D
hehehe
;*
Apenas uma palavra: "Bonito".
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